O sim de Tite para a CBF é obrigatoriamente seguido por uma pergunta. O que mudou na avaliação do técnico sobre Marco Polo Del Nero e a entidade que comanda o futebol brasileiro para que voltasse atrás na decisão de não dirigir a seleção enquanto o dirigente estiver na presidência da entidade?

Sim. Tite nunca usou os microfones ou falou abertamente que “com Del Nero eu não trabalho”, mas são muitos os depoimentos e atitudes que permitem ter certeza de que esse era o pensamento do novo técnico da seleção brasileira.

Tite durante seu último treino no Corinthians antes de se reunir com a CBF (Daniel Augusto Jr. Agência Corinthians)

Em dezembro de 2015, a ONG Atletas pelo Brasil e o Bom Senso FC lançaram o movimento #OcupaCBF, que pedia a saída de Del Nero da presidência da entidade. Tite foi uma das personalidades do futebol que assinaram o manifesto pela renúncia ao lado de Zico e Pelé.

Rogério Ceni também deixou seu nome lá, mas seis meses depois estava nos Estados Unidos com a CBF na campanha vexatória na Copa América Centenário. Ainda não explicou o que o fez mudar de posição. Tite não terá a mesma opção. Ele é o novo técnico da seleção brasileira e não apenas um auxiliar pontual.

A atitude do técnico em dezembro corroborava o que o presidente não-oficial do Corinthians, Andrés Sanchez, dissera alguns dias antes, logo após o título brasileiro conquistado pelo clube paulista. “Com a CBF do jeito que está, ele (Tite) não vai”. Na terça-feira, Sanchez, desafeto confesso de Del Nero, voltou a opinar. “Tite não é burro de ir para a seleção agora”.

Aqui no Esporte Final já falamos da coerência de Tite ao dizer não em outras oportunidades em que a CBF o consultou. Havia ainda uma mágoa do técnico por sequer ter sido sondado quando Luiz Felipe Scolari deixou o comando do selecionado nacional em julho de 2014, época em que Tite não estava em nenhum clube e estava se preparando exatamente para o convite que não só ele, mas o Brasil inteiro esperava.

Após mais um vexame de Dunga, chegou a hora de Tite. Não dá para dizer que não é merecido. Nenhum técnico venceu tanto no Brasil como ele nos últimos anos. Antes, porém, ele precisará explicar o que mudou para engolir a mágoa, lamber a ferida e aceitar sentar-se na mesma mesa de Marco Polo Del Nero.