Daniel Alves salvou a pele de Dunga? (Foto: AFP / Pablo Burgos)

Daniel Alves salvou a pele de Dunga? (Foto: AFP / Pablo Burgos)

Você joga uma Copa do Mundo em casa. Chega aos trancos e barrancos numa semifinal e aí se dá a tragédia. O 7 a 1 contra a Alemanha escancarou que o sebastianismo não seria mais capaz de derrotar os adversários. O pragmatismo de Parreira e a mística de Felipão estavam soterrados.

A CBF, uma entidade que se acostumou a errar, tinha a chance de acertar ao menos na correção da rota. Vendeu a mensagem de que era necessária uma revolução, uma reformulação completa. O público se animou: Tite ou estrangeiros? Nada disso, trouxe de volta Dunga. O recado era claro: não queremos uma nova mentalidade, e sim um porrete em forma de técnico. A dor educa, pensaram eles. Não deu nem tempo de cicatrizar a ferida da Copa.

O empate por 2 a 2 contra o Paraguai deixou o Brasil numa constrangedora sexta posição nas Eliminatórias Sul-Americanas. Aproveitando o recuo dos paraguaios, a seleção partiu para um abafa nos últimos 15 minutos e conseguiu ao menos diminuir o prejuízo. Mas a tal superação não pode mascarar o que se viu durante quase todo o jogo: uma bagunça.

Não é uma seleção de perebas. Diversos jogadores não só atuam no futebol europeu, como se destacam em seus clubes. É o caso de Neymar, Daniel Alves, Willian, Douglas Costa, Miranda, David Luiz, Coutinho. Mas, juntos, formam um amontoado sem inspiração e descoordenado. À exceção de Neymar, não há nenhum fora de série, mas todos com futebol suficiente para não entrar como azarão numa partida contra o Paraguai.

Então a conclusão é de que faltam comando e novas ideias. Se a solução é caseira, não existe outra via que não seja Tite. Um treinador que, após ganhar tudo pelo Corinthians, percebeu que precisava evoluir. Parou, estudou e voltou para retomar as conquistas alvinegras. Mas se sua escolha é óbvia, não é tão certo que toparia hoje este convite, que já chegaria com um atraso de dois anos.

Pelas Eliminatórias, a seleção só volta a jogar agora em setembro, o que pode postergar ainda mais a necessidade de mudança. O sofrido empate não pode salvar a pele de Dunga. A CBF prometeu uma renovação e entregou o oposto. Os rivais nem disfarçam mais. Reiteram que o Brasil não é mais o mesmo e não têm mais o que temer. Não estão errados. Sobrou um arremedo que veste amarelo e agora luta para não ficar de fora de uma Copa do Mundo pela primeira vez em sua história. Uma seleção que comemora empates contra adversários historicamente inferiores.

A seleção brasileira já encantou e foi referência para o mundo, mas transformou essa admiração em soberba e acomodação. Quando se viu obrigada a evoluir, adotou uma gestão de cartório: burocrata, tediosa e repetindo velhas fórmulas para um público cada vez mais impaciente. Parreira um dia disse que a CBF era o Brasil que deu certo. Uma miopia revestida de provocação. E o cartório continua aberto, carimbando erros como quem rubrica sua nova identidade.