Fred parece ter confundido idolatria com bom senso (Crédito: Divulgação Fluminense)

Fred parece ter confundido idolatria com bom senso (Crédito: Divulgação Fluminense)

Se vocês soubessem o que acontece nos vestiários dos clubes de futebol… Bom, ao menos no Fluminense a coisa se tornou pública. Racha entre Fred, ídolo da torcida, e Levir Culpi, treinador que chegou há um mês e colocou o tricolor nos trilhos, com dez jogos de invencibilidade. Pior: levaram a discussão para a imprensa e deixaram a bomba no colo da torcida.

Fred teria deixado claro para a diretoria que não veste mais a camisa do time carioca com Levir no comando. E mais: o jogador, que ganha hoje 800 mil reais, pede 1 milhão para continuar no clube – uma trucada que praticamente encerra seu ciclo dentro do clube. Ao menos é o que se espera da diretoria do Fluminense, que não pode aceitar este tipo de chantagem.

Há algum tempo se fala sobre a influência excessiva de Fred dentro do clube. E foi justamente isso o que Levir Culpi resolveu cortar ao chegar nas Laranjeiras. Com outros treinadores, o jogador costumava opinar sobre formações táticas, de forma que o time sempre o tivesse como referência dentro de campo. Mas a má fase de Fred – já são dois meses sem marcar gol – enfraqueceu o seu poder. E Levir aproveitou essa brecha para tomar as rédeas do vestiário. Torcedores do Galo, ex-time do treinador, dizem que algo parecido aconteceu no Atlético Mineiro em relação a Ronaldinho Gaúcho e Diego Tardelli.

Já disse por aqui que o salário do Fred é uma ofensa. Mas, até aí, problema do clube que acredita ser um bom negócio investir num jogador goleador, mas que perde muitos jogos por conta de problemas físicos. Mas agora Fred veste a camisa da prepotência máxima, se colocando acima do clube, do grupo e da própria torcida – que no domingo deixou claro nas arquibancadas sua insatisfação com a conduta do jogador.

Não há mais espaço no futebol brasileiro para jogadores assim, que usam e abusam da grife para exigir titularidade e regalias. Tite soube administrar isso em 2012, quando praticamente ignorou a pressão para colocar Adriano em campo. O atacante, desmotivado e fora de forma, foi desligado em pouco tempo e o treinador foi recompensado com um grupo fechado que levou o Corinthians até a conquista da Libertadores e do Mundial.

O Fluminense tem a chance de recuperar parte da dignidade perdida com o fracasso da curta e patética passagem de Ronaldinho Gaúcho no clube – com direito a freela num torneio inexpressivo na Flórida. De quebra, mostrará ao elenco que nem mesmo ídolos são intocáveis e dará força a um treinador que rapidamente encontrou uma forma de tirar o time da mediocridade.

A iminente saída levanta a dúvida sobre o melhor destino do camisa 9 tricolor. Depois de fazer a limpa por aqui no começo do ano, talvez a China possa, enfim, fazer um favor a todos os clubes brasileiros que ainda cogitam se tornar reféns de jogadores como Fred.