A Argentina está na final da Copa América. No domingo (26), tentará entrar em uma cápsula do tempo e finalmente sair do ano de 1993, quando pela última vez conquistou um título com sua equipe principal. Depois da vitória contra o México, nada mais. Foram três finais do torneio (2004 e 2007 perdidas para o Brasil, 2015 para o Chile), duas de Copa das Confederações (em 1995 caiu contra a Dinamarca, e em 2005, contra o Brasil) e a decisão da última Copa do Mundo, contra a Alemanha. São 23 anos de jejum, aliviados apenas por duas medalhas de ouro olímpicas, em Atenas-2004 e Pequim-2008.

Quando a Argentina foi campeã pela última vez, Diego Maradona ainda era um jogador de futebol, que disputaria o Mundial no ano seguinte – aquele com o estranho caso de doping. Hoje, os argentinos têm um fenômeno do mesmo porte, mas que, diferentemente de Maradona, que venceu “sozinho” a Copa de 1986, ainda luta para ser campeão pela seleção. A falta de uma taça com a seleção ainda faz Messi ser questionado por quem ainda insiste em diminuir seu talento – inclusive em seu país. Nesta Copa América, faz sua melhor competição com a camisa da seleção e tornou-se seu maior artilheiro, superando Batistuta, titular na conquista de 1993.

Messi durante a semifinal contra os Estados Unidos

Messi, agora barbudo, tornou-se o maior artilheiro da seleção argentina (Foto: Frederic J. Brown/AFP

No ano de 1993, onde continua a seleção argentina, o presidente dos EUA era Bill Clinton. No Brasil o cargo era de Itamar Franco, vice que assumiu o posto depois da saída de Fernando Collor de Melo. PC Farias (procure saber) ainda estava nas manchetes dos jornais – e eles eram todos impressos, porque internet ainda não existia como a ferramenta comum que é hoje.

Na edição de 5 de julho de 1993, segunda-feira, o título da Argentina foi noticiado num pé de página pela “Folha de S.Paulo”. No alto havia a notícia sobre a chegada da seleção brasileira à Granja Comary, onde faria o período de concentração para a estreia nas Eliminatórias, contra o Equador – aquela sofrida campanha que terminaria com vitória por 2 a 0 contra o Uruguai, no Maracanã. E na mesma página, um texto contava sobre prisão de Viola, que jogaria a Copa do Mundo de 1994, por desacato a autoridade.

Notícia do título da  Argentina na Copa América de 1993

A ‘Folha de S.Paulo’ noticiou em pé de página o título da Argentina na Copa América de 1993

Mais do que um título de uma Copa América morna e sem sentido, disputada pelo segundo ano consecutivo, o jogo de domingo pode representar a libertação de uma gigante do futebol. Uma seleção cujo jejum de 23 anos não faz sentido pela sua história ou pelos jogadores que passaram por ela neste período sem uma taça. E, se acontecer, um título tem o potencial de tornar uma equipe forte ainda mais poderosa e confiante no que pode conseguir.